Por que estamos aqui
A mente não para. Esse é o ponto de partida de quase todo mundo que chega à meditação — seja pela exaustão do estresse, seja pela curiosidade sobre as tradições, seja pela sensação de que há algo mais profundo nas práticas que já conhece. O caminho é diferente para cada um. O destino é o mesmo: aprender a habitar a própria mente com menos ruído e mais presença.
Há alguns anos, em uma fase da vida de muito estresse e ansiedade, descobri algo que nenhuma outra ferramenta havia me dado: a capacidade de encontrar quietude e paz em meio a tanta agitação mental. Em uma aula de Yoga, durante um exercício respiratório que durou entre 5 e 10 minutos, meu sistema nervoso mudou de estado de um jeito que eu, mesmo sendo doutor na área de neurociências, não conseguia explicar naquele momento e só posteriormente fui compreender.
Com a respiração lenta e profunda, fui tomado por uma sensação de calma e tranquilidade. Senti uma profunda conexão com o momento presente. Com a mente mais calma, pude perceber o silêncio do ambiente, o leve som de insetos noturnos que vinha do jardim, a brisa suave que percorria o ambiente. Naquele momento, tomei consciência de como minha mente estava adoecida e de como tudo poderia ser diferente.
Essa experiência me tocou profundamente. E me moveu. Fui estudar práticas contemplativas e meditativas modernas e antigas. Estudei os Yoga Sutras de Patañjali e o Vedānta com o mesmo rigor com que havia estudado neurociências. E o que encontrei foi surpreendente: a tradição e a ciência tratam de fenômenos semelhantes, embora com diferentes conceitos e objetivos.